Lineu de Queiroz Jucá, filho do Cel. Pedro Jucá, nasceu no dia 2 de junho de 1905, em Quixadá-CE. Concluiu os cursos primário e secundário no Instituto São Luiz, em Fortaleza-CE. Em 1923, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Depois de graduado regressou à Fortaleza e, em 1935, ingressou na Saúde Pública, trabalhando no Dispensário de Tuberculose do Centro de Saúde.
Em 1936, foi nomeado Inspetor Sanitário e chegou a ser Diretor da Saúde Pública. Trabalhou, também, na Santa Casa de Misericórdia, onde prestou grande serviço à população pobre do Ceará.
Entre 1940 e 1944, Lineu Jucá fez no Rio de Janeiro os cursos: Radiologia, ministrado por Manuel de Abreu; Saúde Pública, em Manguinhos, e Especialização em Tuberculose. Ao regressar ao Ceará fundou, ao lado do Dr. Jurandir Picanço e Dr. Deusdeth Vasconcelos, a Assistência Municipal, hoje Instituto Dr. José Frota.
Lineu Jucá destacou-se nas áreas de radiologia e tisiologia. Como radiologista, teve o mérito de ostentar o título de primeiro especialista cearense e de ser um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Radiologia, em 1929, no Rio de Janeiro, ao lado de Manuel de Abreu.
Como tisiólogo deixou grande legado. Os tisiólogos daquela época, verdadeiros heróis, enfrentavam a tuberculose de mãos vazias, impulsionados apenas por um ideal humanitário. Médicos hipocráticos, aplicavam o lema que encimava todos os congressos de tisiologia: “CURAR ÀS VEZES, ALIVIAR QUANDO POSSÍVEL, CONSOLAR SEMPRE”.
Até meados do século XX, a tuberculose era altamente prevalente. Na década de 1920, os coeficientes de mortalidade por Tb oscilavam de 150 a mais de 300 por 100.000 habitantes, em todas as grandes metrópoles do Mundo. Em Fortaleza, era de 300 por 100 mil. Uma verdadeira tragédia social e familiar. Nesta época o tratamento para tuberculose consistia em repouso, alimentação e isolamento em sanatórios especializados, o chamado tratamento higiênico-dietético.
Lineu Jucá, sensível a esta hecatombe, ao lado de João Otávio Lobo e Pedro Augusto Sampaio, inaugurou, em maio de 1933, o primeiro Sanatório do Ceará, o Sanatório de Messejana. O pequeno Sanatório de 20 leitos foi construído em um terreno de seis hectares e contou com o apoio financeiro da tia de Lineu Jucá, Dona Libânia Holanda, abastada proprietária de terras e filantropa.
O Sanatório de Messejana transformou-se no atual Hospital de Messejana, referência nacional, especializado no tratamento de doenças do tórax e do coração com assistência médica de alto nível oferecendo tecnologia de ponta.
Lineu de Queiroz Jucá foi também membro participante de retiros espirituais da Sociedade Médica São Lucas (SMSL), fundada em 3 de novembro de 1937, no decorrer do primeiro decênio da SMSL.
Durante o exercício de sua terceira gestão na chefia do Centro de Saúde, Lineu Jucá foi acometido de hemorragia gástrica, falecendo no dia 7 de setembro de 1946, aos 41 anos de idade deixando uma grande lacuna na medicina cearense.
Lineu Jucá foi casado com a Sra. Maria Laura Monte, com quem teve três filhos: Francisco Arnoldo Monte Jucá, Gláucia Maria Monte Jucá e o Dr. Eduardo Régis Monte Jucá, que, como o pai, dedicou a vida para o engrandecimento da medicina cearense, tendo sido um ilustre membro desta Academia.
Lineu de Queiroz Jucá faleceu jovem, em plena atividade laborativa e intelectual, mas deixou grande legado à medicina cearense com realizações, dedicação e amor ao trabalho.
Texto baseado no Discurso de Posse na Cadeira Nº 35 da Academia Cearense de Medicina, proferido no Auditório Castello Branco da UFC, em 14 de novembro de 2014.