ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA: esboço histórico (RESUMO)
Por: Ac. Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves (Ex-Presidente 1984-86)
Na história da Medicina Cearense, dois marcos se fizeram indeléveis: a fundação do Centro Médico Cearense, em 1913, e a da Faculdade de Medicina do Ceará, em 1948.
No dia 12 de maio de 1978, fundar-se-ia a ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA, corolário natural e necessário para cristalizar aqueles ideais e os que os esposaram, já por 65 anos, no resguardo de uma história plena de amor e dedicação à nossa excelsa profissão.
A comissão designada para planejar os vários eventos comemorativos, pelo então diretor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará, Geraldo Gonçalves; que a comporia com José Carlos Ribeiro, Walter de Moura Cantídio, Joaquim Eduardo de Alencar e José Edísio da Silva Tavares; a estes juntar-se-iam Paulo de Mello Machado, Haroldo Gondim Juaçaba, Newton Gonçalves e Waldemar de Alcântara, sob a presidência de José Carlos.
Vinte e seis cadeiras e seus respectivos Patronos e Titulares, que se alinham a seguir, respectivamente, foram inicialmente escolhidos para a fundação:
PATRONOS |
TITULARES |
- Abdênago da Rocha Lima |
- Acad. Newton Teófilo Gonçalves |
- Adalberto Morais Studart |
- Acad. José Carlos Ribeiro |
- Alber Furtado Vasconcelos |
- Acad. João Barbosa P. Paula Pessôa |
- Alísio Borges Mamede |
- Acad. Washington Baratta |
- Antônio Fco. Rodrigues de Albuquerque |
- Acad. Walter de Moura Cantídio |
- Antônio Guarany Mont’Alverne |
- Acad. Artur Eneias Vieira de Figueiredo |
- Antônio Jorge Queiroz Jucá |
- Acad. José Murilo C. Martins |
- Cesar Cals de Oliveira |
- Acad. Haroldo Gondim Juaçaba |
- Eduardo Alves Dias |
- Acad. Antônio Wandick A. Ponte |
- Eliezer Studart da Fonseca |
- Acad. José Oswaldo Soares |
- Francisco Araújo |
- Acad. Raimundo Vieira Cunha |
- Guilherme Studart (Barão) |
- Acad. José Edísio da Silva Tavares |
- João Batista Saraiva Leão |
- Acad. Paulo de Mello Machado |
- João Otávio Lobo |
- Acad. Aluísio Pinheiro |
- Joaõ Simões de Menezes |
- Acad. Gerardo Frota de Souza Pinto |
- Joaquim Fernandes Telles |
- Acad. José de Pontes Neto |
- José Cardoso de Moura Brasil |
- Acad. Walder Bezerra Sá |
- José Ribeiro da Frota |
- Acad. José Vieira Magalhães |
- Jurandir Marães Picanço |
- Acad. Geraldo W. S. Gonçalves |
- Manoel Carlos Gouveia |
- Acad. José Waldemar de Alcântara |
- Manoel do Nascimento Fernandes Távora |
- Acad. Livino Virgínio Pinheiro |
- Pedro Augusto Sampaio |
- Acad. José Borges de Sales |
- Samuel Barnsley Pessoa |
- Acad. Joaquim Eduardo de Alencar |
- Vicente Cândido Figueiredo Sabóia |
- Acad. José Ossian de Aguiar |
Atualmente a Academia Cearense de Medicina possui 70 cadeiras, ocupadas por nomes de relevância para a medicina cearense.
ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA: esboço histórico (TEXTO COMPLETO)
Ac. Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves
(Ex-Presidente 1984-86)
Na história da Medicina Cearense, dois marcos se fizeram indeléveis: a fundação do Centro Médico Cearense, em 1913, e a da Faculdade de Medicina do Ceará, em 1948.
E nesse interregno de 35 anos, três gerações de médicos se entrelaçaram para tecerem os fortes esteios e colunas mestras da moderna medicina do Ceará. Com o Centro Médico Cearense, iniciavam-se os primeiros passos de uma arte-ciência, ao mesmo tempo em que Ética e Moral médicas alcançavam níveis exemplares que fizeram do querido órgão, paradigma para todo país; e, entre seus iniciadores e a geração médica dos anos “vinte”, voltamos para uma consciência médica fortemente social, criaram-se os fundamentos de uma bem estruturada “Saúde Pública” em nosso sofrido torrão; já antes que a medicina estatizada ainda hoje claudicante em nosso país a relegasse a plano secundário, pecado cujas consequências funestas permanecem configurando o “Brasil grande hospital”, já antevisto desde Miguel Pereira.
Uma terceira geração, dos anos “trinta” e primeiros “quarenta” associada à anterior e ainda sob a inspiração da primeira, idealizaram e objetivaram – juntas – o monumento maior da medicina em nossa era: a Faculdade de Medicina do Ceará, instalada em 12 de maio de 1948, tendo como nomes principais: Jurandir Picanço, José Carlos Ribeiro, Newton Gonçalves, Waldemar de Alcântara e Walter de Moura Cantídio.
E, a 12 de maio de 1978, entre as comemorações de seu trigésimo aniversário, fundar-se-ia a ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA, corolário natural e necessário para cristalizar aqueles ideais e os que os esposaram, já por 65 anos, no resguardo de uma história plena de amor e dedicação à nossa excelsa profissão.
Assim decidiu, traduzindo estado de espírito bem presente, a comissão designada para planejar os vários eventos comemorativos, pelo então diretor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará, Geraldo Gonçalves; que a comporia com José Carlos Ribeiro, Walter de Moura Cantídio, Joaquim Eduardo de Alencar e José Edísio da Silva Tavares; a estes juntar-se-iam Paulo de Mello Machado, Haroldo Gondim Juaçaba, Newton Gonçalves e Waldemar de Alcântara, sob a presidência de José Carlos, constituindo-se, na comissão especial para estruturar, a partir do início de 1978, o novel sodalício.
Espelhados nos modelos estatutários e regimentais da Academia Nacional de Medicina e da Academia Pernambucana de Medicina. Amorável e de poucos espinhos foi a tarefa de reunir aqueles que comporiam os Patronos e Titulares, cujos nomes estavam à vista de todos, sem falsas modéstias, atores e testemunhas do referido período de nossa história médica.
Vinte e seis cadeiras e seus respectivos Patronos e Titulares, que se alinham a seguir, respectivamente, foram inicialmente escolhidos para a fundação:
PATRONOS |
TITULARES |
- Abdênago da Rocha Lima |
- Acad. Newton Teófilo Gonçalves |
- Adalberto Morais Studart |
- Acad. José Carlos Ribeiro |
- Alber Furtado Vasconcelos |
- Acad. João Barbosa P. Paula Pessôa |
- Alísio Borges Mamede |
- Acad. Washington Baratta |
- Antônio Fco. Rodrigues de Albuquerque |
- Acad. Walter de Moura Cantídio |
- Antônio Guarany Mont’Alverne |
- Acad. Artur Eneias Vieira de Figueiredo |
- Antônio Jorge Queiroz Jucá |
- Acad. José Murilo C. Martins |
- Cesar Cals de Oliveira |
- Acad. Haroldo Gondim Juaçaba |
- Eduardo Alves Dias |
- Acad. Antônio Wandick A. Ponte |
- Eliezer Studart da Fonseca |
- Acad. José Oswaldo Soares |
- Francisco Araújo |
- Acad. Raimundo Vieira Cunha |
- Guilherme Studart (Barão) |
- Acad. José Edísio da Silva Tavares |
- João Batista Saraiva Leão |
- Acad. Paulo de Mello Machado |
- João Otávio Lobo |
- Acad. Aluísio Pinheiro |
- Joaõ Simões de Menezes |
- Acad. Gerardo Frota de Souza Pinto |
- Joaquim Fernandes Telles |
- Acad. José de Pontes Neto |
- José Cardoso de Moura Brasil |
- Acad. Walder Bezerra Sá |
- José Ribeiro da Frota |
- Acad. José Vieira Magalhães |
- Jurandir Marães Picanço |
- Acad. Geraldo W. S. Gonçalves |
- Manoel Carlos Gouveia |
- Acad. José Waldemar de Alcântara |
- Manoel do Nascimento Fernandes Távora |
- Acad. Livino Virgínio Pinheiro |
- Pedro Augusto Sampaio |
- Acad. José Borges de Sales |
- Samuel Barnsley Pessoa |
- Acad. Joaquim Eduardo de Alencar |
- Vicente Cândido Figueiredo Sabóia |
- Acad. José Ossian de Aguiar |
- Virgílio Aguiar |
- Acad. Vinícius Barros Leal |
Eleita sua primeira diretoria, foi esta presidida pelo Acadêmico José Waldemar de Alcântara e Silva; e instalava-se a Academia, na data retrocitada, precedida, como afirmou o Acadêmico Paulo de Mello Machado, orador oficial da solenidade, realizada no Auditório Castello Branco da Universidade Federal do Ceará, “por uma análise rigorosa de seus propósitos e de um período liminar prenhe de tantas e tão dificultosas sutilezas que só conseguiram vencer a tolerância e a comunhão de ideias no núcleo propulsor”.
Uma segunda diretoria, a frente do Acadêmico Walter de Moura Cantídio, empossada em 12 de maio de 1980, firmaria os primeiros passos do incipiente Sodalício; e, com o arbítrio de todos os vinte e seis fundadores, ampliaria para QUARENTA o número, até hoje guardado, de cadeiras e patronos; àqueles primeiros, viriam juntar-se quatorze, imbuídos dos mesmo ideais; e, deles três, Antero Coelho Neto, Francisco Paiva Freitas e Raimundo Hélio Cirino Bessa, já opimos frutos que são da Faculdade de Medicina do Ceará, em suas primeiras turmas.
A Academia Cearense de Medicina não teve, assim, para sua fundação, qualquer interesse menor de promoção pessoal; senão que, reunir médicos, artífices de um mesmo e impoluto ideal: o de consagrar a memória de seus maiores a, assim, reviver e viver suas sólidas e indeléveis trilhas e seu legado de exemplo, a ser conhecido pela sociedade e honrado por coevos e pósteros, praza-nos Deus.
E é a certeza de quantos compõem-na ser tal embasamento chão firme para uma vivência de contínuas realizações no campo médico-cultural do Ceará, que vem caracterizando as seguintes diretorias, de mandato bianual; mesmo com voos mais audazes, como sejam estender mãos às co-irmãs e colegas ilustres de todo Brasil.
Assim que, na presidência de Geraldo Gonçalves (1984-1986), de muito seria ampliado nosso quadro de membros correspondentes, com vistas ao estreitamento entre co-irmãs; tal política culminou com a realização, em maio de 1986, do I Conclave Brasileiro de Academias de Medicina, em Fortaleza.
Deste evento participaram todas Academias de âmbito estadual de então: Piauiense, Cearense, Pernambucana, Paraibana, da Bahia, Fluminense, Mineira, de São Paulo e Paranaense; e, na oportunidade, fundar-se-ia a Federação Brasileira de Academias de Medicina a ser solenizada com um novo Conclave a cada dois anos; o que vem se concretizando com o II Conclave realizado em Niterói, em maio de 1988, e a organização em Salvador, no mesmo mês de 1990 (estamos em abril) do III de nossas reuniões magnas.
Esforços foram em vão para que a Academia Nacional de Medicina estivesse presente ao I Conclave; também para que participasse da Federação, em grau de Membro Honrário; se bem que deva-se registrar o auspicioso fato de haver sido orador-conferencista da sessão solene do II Conclave, o Acadêmico Aloysio Salles Fonseca, então na Presidência de nossa ALMA-MATER.
A Federação instalada, a Academia Cearense de Medicina empenhou-se na fundação de novas co-irmãs, as quais existem hoje, também no Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Goiás; de modo que contamos atualmente com treze federadas, tendo em mente a meta de contar com uma em cada um dos estados brasileiros.
São atividades permanentes deste sodalício suas reuniões mensais, cujas “ordens do dia” são assuntos médico-científicos e médico-culturais, a cargo de acadêmicos como de convidados.
Bienalmente, nos intervalos dos Conclaves, são realizadas as “Reuniões Bienais”, objetivadas já a 1ª, 2ª e 3ª, nas presidências, respectivamente, de Geraldo Gonçalves, José Borges de Sales e Washington Baratta; elas têm abordado grandes temas de interesse médico-social, com ênfase para a história da medicina no Ceará; neste sentido, houve um ciclo de medicina geral e a última reunião particularizou as especialidades, entre elas a Anestesiologia, Toco-ginecologia, Cirurgia e Pediatria.
A partir de 1985, têm sido editados os Anais da Academia, nos quais são publicados assuntos de alto interesse, inclusive os apresentados e discutidos nas reuniões bienais assim como os “elogios de patronos” que cabem a cada Titular escrever; já foram editados três números, estando o quarto no prelo, arrostando as dificuldades atuais para tais iniciativas.
A Academia, desde 1982 funciona em próprio da Universidade Federal do Ceará – Polo Cultural do Benfica – mantém em sua sede a Biblioteca Dr. Carlos da Costa Ribeiro, hoje com acervo de cerca de 3.000 volumes, em geral advindos de doações de acadêmicos e familiares de médicos falecidos; e conta com obras clássicas, como as de Dieulafoy, Trousseau, Charcot, Torres Homem e mesmo de Galeno e Hipócrates.
Nosso sodalício tem convênio para manter o “Rememoro XII de Maio”, no “campus” do Centro de Ciências da Saúde, em dependências restantes do primeiro prédio da Faculdade de Medicina do Ceará; e para, com o respaldo da biblioteca, dar cursos de História da Medicina.
Também já iniciou a “Coleção Antônio Justa”, médico cearense Patrono da Academia, com algumas obras publicadas e outras em preparo; e mantém, com o nome de Waldemar de Alcântara, prêmio a produções científicas, tendo sido também chamada a julgar prêmios de outras entidades.
Aquilo que se constrói com ideias fortes de homens sérios, tende a ser imperecível, mesmo tendo em conta a falibilidade dos feitos humanos; com tal ideário, os que fazem a querida Academia Cearense de Medicina levantam bem alto a tocha ardente de nossa profissão eternal, que passaremos, até com muita parcimônia, àqueles que venham provando, em vidas impolutas, comungar com a fortaleza de ideias e a seriedade de propósitos que se reuniu em nosso amorável Sodalício.
GONÇALVES, Geraldo Wilson da Silveira. Academia Cearense de Medicina: Esboço histórico. In: Anais – Academia Cearense de Medicina, v. 5. Fortaleza: Imprensa Universitária, 1995. p. 145-148.