O doutor João Simões de Menezes encarnava, nas palavras do Acadêmico Frota Pinto, um “lídimo sequaz de Hipócrates, além de marcante figura humana”. Nasceu ele em Fortaleza, em 4/08/1911, no bairro Joaquim Távora, antigo Calçamento de Messejana, filho do jornalista Vicente Roque de Menezes (VR) e da senhora Branca Simões de Menezes.
No Colégio Cearense, fez o curso primário e parte do secundário, sendo que o restante deste último fê-lo no Liceu do Ceará.
Com quinze anos de idade, foi aprovado no vestibular e ingressou na vetusta Faculdade de Medicina da Bahia, onde se destacou por suas qualidades intelectuais, vocação médica, integridade moral e espírito humanitário, graduando-se em dezembro de 1932.
No ano seguinte, transferiu-se para a cidade de Grotões, no interior baiano, aquiescendo a convite de Juracy Monteiro Magalhães, seu conterrâneo, Tenente do Exército e então interventor naquele Estado. Atendendo a reclamos de lideranças políticas locais, chegou a ser prefeito. Por sentir-se não vocacionado para aquela atividade, renunciou ao cargo, pouco tempo depois, permanecendo no exercício de clínico geral.
Na cidade de Ubaíra também na Bahia (Microrregião de Jequié), casou-se com a senhora Maslowa Lopes Nogueira, de cuja união advieram os filhos Boris, em 1935 e Tanya em 1937.
Neste ano, em atenção a ponderações da família e de amigos, transferiu-se para Fortaleza, onde passou a exercer Clínica Médica e Gastroenterologia, especialidades em que se manteve sempre atualizado, até por participar sempre de congressos e outros eventos nacionais relacionados sobretudo à Gastroenterologia.
Foi um assíduo frequentador do Centro Médico Cearense (atual Associação Médica Cearense), em cuja diretoria exerceu cargos importantes por vários mandatos e onde fazia apresentação de casos clínicos de interesse. Ao lado da sua competência, punha em prática a ótima relação médico-paciente-família, atributos pelos quais, com a maior justeza, granjeou alentada clientela, cujo labor era acrescido ao de médico da Secretaria Estadual da Saúde.
Mercê de todas as suas qualidades, foi indicado, em 1948, ao Ministério da Educação para ocupar uma cátedra de Clínica Médica, na Faculdade de Medicina do Ceará. Não chegou, todavia, a tomar posse, em razão de uma pérfida denúncia, feita por pessoas, de certa representação social, mas de mentalidade arcaica, segundo a qual ele tinha ideias marxistas. Este fato viria a magoá-lo pelo resto da vida.
Foi um desportista, apaixonado pelo Ceará Sporting Club, de cuja torcida participava entusiasticamente nos estádios de futebol. Já na maturidade, aderiu a caminhadas (Cooper) na orla marítima. Não obstante a referida prática saudável e mesmo tendo outros hábitos saudáveis, foi vítima de um infarto miocárdio agudo, em 1973, muito provavelmente relacionado com o tabagismo, vício de que era refém desde a juventude. Superou a fase aguda do evento coronariano, com déficit de função cardíaca, mas chegou a retornar à atividade médica. No entanto, sofreu, na sua residência, em dezembro de 1974, uma parada cardíaca, sem êxito de ressuscitação, mesmo após internado na UTI de um conceituado hospital da Capital.