Jurandir Picanço nasceu no dia 7.01.1902 em Belém, filho de Miguel de Aguiar Picanço e de Gertrudes Marães Picanço. Com quatro anos de idade, a família transferiu-se para Fortaleza. Durante os estudos primários passou pelo Colégio São Rafael e pelo Liceu do Ceará onde foi secretário do Grêmio Literário Farias Brito.
Estudou na tradicional Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e concluiu o curso em dezembro de 1927. Sua tese de doutorado foi intitulada de “Synreflexia-Associação e reflexos”.
Em 1928 iniciou sua carreira no município cearense de Russas e em 1930 transferiu-se para Parnaíba, no estado do Piauí. Em 1932 retornou ao Rio de Janeiro para casar-se com Maria Carolina Garcia Picanço e transferiu-se para Fortaleza. Começou trabalhando no Hospital de Pronto-Socorro de Fortaleza, atualmente, Instituto José Frota, na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital de Isolamento da Saúde Pública, sendo diretor dos dois últimos hospitais. Foi médico (e depois Superintendente) do IAPC – Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários No mesmo ano de 1932, publicou o livro “O homem brasileiro” que aborda a miscigenação racial com o índio, o escravo e o colonizador português. Aborda etnologia, etnografia, biopsicologia, geografia humana, folclore e antropologia médica. Clinicava em Fortaleza, com consultório na Rua Major Facundo, 650, anunciando consultas das 9 às 11 nas especialidades de Clínica Geral de adultos e crianças e de doenças neurológicas. Para chamados atendia os que o procurassem na Rua Guilherme Rocha 1186, sua residência.
Foi presidente do antigo Centro Médico Cearense, atual Associação Médica Cearense, por duas gestões, em 1935 e em 1937. Apresentou e publicou importantes trabalhos científicos na revista desta instituição, “Ceará Médico”. Durante vários anos foi o orador oficial do Centro Médico Cearense. Jurandir Picanço se notabilizava nas reuniões do Centro Médico Cearense pela sua assiduidade, apresentação de trabalhos, participação na Diretoria, e sua presteza em noticiar atualizações médicas vindas do países estrangeiros, principalmente da Europa, citando autores franceses, alemães, britânicos, norte-americanos, argentinos e outros
Fundou a Casa de Saúde São Gerardo, em 1935, junto com o Dr. Vandick Ponte. Em 1942, fundou a Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo. Pertenceu à Sociedade Médica São Lucas desde 1938, seu segundo ano de fundação até a sua morte. Em 1946, promoveu em Fortaleza O I Congresso Brasileiro de Médicos Católicos.
Logo após este evento deu início a luta pela fundação da Faculdade de Medicina do Ceará, que após ter sido aprovada pelo Ministério de Educação e Cultura, tornou-se realidade a partir de 12 de maio de 1948, contando com a colaboração de Waldemar de Alcântara, Walter Cantídio, José Carlos Ribeiro e Newton Gonçalves. Foi seu primeiro diretor. Criou as disciplinas de Medicina Psicossomática e entregou a Rômulo Teófilo, criou a disciplina de endocrinologia e entregou a Cesar Romcy e criou a disciplina de reumatologia, cuja chefia dividiu com o Professor Geraldo Gonçalves. Na vida associativa, foi o primeiro presidente da Sociedade Cearense de Reumatologia. Também foi superintendente do IAPC.
Em 1967 fundou o Instituto de Psiquiatria do Ceará, junto com os psiquiatras Marcus Heleno Cavalcante, Hélio Marcos Lobo, Wandick Ponte e Paulo Picanço, seu filho e membro titular desta academia. ”. Em 1972, foi outorgado pelo Governo do Estado do Ceará, o título Honorífico de Cidadão Cearense. São notáveis seus aforismas sobre o doente: “O doente é a pessoa mais importante do hospital”. “O doente depende de nós, nossa reputação depende dele”. “O doente não nos interrompe. Ele é nosso trabalho”. “O doente não nos distingue quando nos chama. Não fazemos favor em servi-lo”. “Com o doente não se discute, é nossa obrigação conforta-lo”. “O doente confia em nós. É nosso dever justificar sua fé.
Faleceu em Fortaleza em 4 de janeiro de 1977, com 75 anos de idade. Neste mesmo ano, o Prof. Geraldo Gonçalves, primeiro ocupante da cadeira cujo patrono era o Dr. Jurandir Picanço e então diretor do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará, o homenageou, emprestando-lhe o nome à Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde. No início de 1978, Prof. Geraldo Gonçalves e outros formaram a comissão para planejamento das festividades de trigésimo aniversário da Faculdade de Medicina da UFC, tendo como destaque a fundação da Academia Cearense de Medicina. O ponto alto daquelas comemorações foi a criação da Medalha Jurandir Picanço.
Ricardo Pereira Silva
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