João Otávio Lobo viu o mundo abrir-se à sua frente no dia 4 de novembro de 1892, no município cearense de Santa Quitéria. Seus pais foram Manoel Alves da Fonseca Lobo e Laura de Carvalho Lobo. O petiz João Otávio cursou as primeiras letras no Colégio São Luís, em Santa Quitéria, sob os cuidados do emérito educador, Padre Antônio Tabosa Braga, oriundo do tradicional Seminário da Prainha, pertencente a Arquidiocese do Ceará.
Em 1906, o adolescente João Otávio foi matriculado sob o número 1.128, no Seminário da Prainha, em Fortaleza. Neste modelar estabelecimento de ensino, hauriu largos conhecimentos nos planos religioso, intelectual e moral. O próximo pouso de João Otávio deu-se na tradicional Faculdade de Medicina da Praia Vermelha da Universidade do Rio de Janeiro, onde graduou-se no ano de 1918. Carlos Studart Filho, Francisco Fontenele Bizerril, Rufino de Alencar Neto, foram os estudantes cearenses que também fizeram parte dessa turma de novos esculápios.
O acadêmico João Otávio Lobo teve a feliz oportunidade de sorver conhecimentos com veneráveis vultos da medicina brasileira da época, como os Drs. Miguel Couto e Antônio Austregésilo. “Em torno do diagnóstico” constitui sua tese de conclusão do curso médico. De retorno ao seu torrão natal, o Dr. João Otávio Lobo passa a prestar serviços assistenciais no município de Santa Quitéria e, poucos meses depois, migra para um burgo vizinho, São Benedito, na Serra da Ibiapaba.
Com o pé na estrada, novamente, fazendo mesmo o seu caminho, ruma para Fortaleza em 1919 onde contrai matrimônio com a sra. Maria de Lurdes Bezerra de Menezes. No início dos anos 20, o Dr. João Otávio Lobo assume a disciplina de Medicina Pública da faculdade Livre de Direito do Ceará, como professor substituto. Em 1923 foi nomeado médico auxiliar do Serviço de Prevenção da Lepra e das Doenças Venéreas, para logo em seguida ser guindado ao cargo de Médico -Chefe do Dispensário Oswaldo Cruz. Em 1927, no mês de abril, empreende viagem para realizar curso de aperfeiçoamento em doenças do pulmão, com foco em Tuberculose, na Alemanha.
De volta a Fortaleza, participa da inauguração em maio de 1933 do Sanatório de Messejana para doenças pulmonares, um avanço de significativa importância para a medicina cearense. Mantém por essa época, extensa atividade laboral atendendo doentes em domicílio, no consultório particular, em Casas de Saúde, sem abrir mão do atendimento gratuito aos pobres, realizado às sexta-feira.
A indômita vontade de servir a seus irmãos levou o Dr. João Otávio Lobo ao pedregoso terreno da política partidária, onde, com galhardia, atuou como Deputado Federal, Secretário do Interior e Justiça, Presidente da Assembleia, Vice-Presidente do Estado, tendo assumido, interinamente o governo do Estado do Ceará em 1946.
Na Sociedade Médica de São Lucas, com o seu profundo espírito cristão, o Dr. João Otávio Lobo prestou relevantes serviços nesta tradicional entidade cearense.
A Academia Cearense de Letras recebeu o Dr. João Otávio Lobo para ocupar a cadeira de número 18, patrocinada pelo cientista Moura Brasil.
“Homem de tanta e tão boa vivência, não nasceu em vão, como reparara Cícero, sobre sua própria vida. Viveu sempre o hoje sem orgulho da sorte nem desespero na dor; suportou o inevitável, regozijou-se com o belo, fez o certo, corrigiu o errado, zelou pelo bem, foi firme na Fé e no respeito aos outros. Nunca experimentou a solidão que abate o presunçoso; pelo contrário, participando da alegria alheia e do sofrimento do próximo, andou no meio dos homens sentindo e produzindo afeições, sem esperar que alguma coisa acontecesse, fazendo parte de tudo o que o cercava”, segundo as amorosas palavras proferidas pelo Acadêmico, Doutor e Historiador Vinicius Barros Leal por ocasião das comemorações do Centenário do Dr. João Otávio Lobo.
Francisco José Costa Eleutério
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