O médico Joaquim Fernandes Teles nasceu no município de Crato, em 15 de abril de 1889. Filho de Teodorico Teles de Quental, agropecuarista e prefeito de Crato, no período de 1915 a 1919, e de Ana Fernandes Teles, filha de comerciante português. Concluiu os estudos no antigo seminário do Crato.
Como havia decidido ser médico, e não havia Faculdade de Medicina no Ceará, decidiu viajar para Salvador em 1910. Em 1910, ingressou na tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, pioneira do país. Ainda estudante, trabalhou como auxiliar em clínica ortopédica e cirurgia infantil no Hospital São João de Deus e na Maternidade Climênio de Oliveira. Graduou-se em Medicina em 26 de dezembro de 1916, defendendo a tese “Da pupila e da papila do alienado”, uma tese oftalmopsiquiátrica, fruto de centenas de observações presenciadas nos manicômios
Em 1917, o Dr. Joaquim Fernandes Teles retorna ao Crato. A proposição de sua tese faz-se pensar que pretendia atuar em Oftalmologia, e isso parece verdade, uma vez que, ao retorno à sua terra, se inclinou para o exercício dessa especialidade. O provável motivo era a alta incidência de oftalmias naquela época, principalmente o tracoma.
No entanto, logo em seguida, optou por atuar em obstetrícia, clínica médica e psiquiatria. Consultava gratuitamente os pacientes humildes, sem exigência de indicação política, usual naquela época. Não havia hospitais na região e a primeira tentativa de instalação ocorreu em 1932. Com aval do Bispo Dom Francisco de Assis Pires, Dr. Teles iniciou uma reforma na Casa de Caridade, que foi suspensa para abrigar os flagelados da grande seca de 1932.
O projeto de construir um hospital e maternidade consolidou-se em 23 de dezembro de 1936, com a inauguração do Hospital São Francisco. Dr. Teles, se dedicou diuturnamente a obstetrícia, conseguindo diminuir de forma consistente, a mortalidade materna na região.
Em 19 de agosto de 1951, sob influência decisiva do Dr. Teles, na condição de deputado federal, foram inauguradas as novas instalações do hospital. Em 21 de dezembro de 1952, anexo ao hospital, foi construída a Maternidade Dr. Fernando Teles. Estava assim, concluído o sonho do Dr. Teles, dotando a sua terra natal com o primeiro hospital do vale do Cariri.
O Dr. Fernando Teles, como assim era mais conhecido, foi também um político atuante. Eleito prefeito do Crato em 1920, permanecendo a frente da prefeitura até 1924. No pleito de outubro de 1934, foi eleito deputado à Assembleia Legislativa Cearense. Assumindo sua cadeira em maio do ano seguinte, exerceu o mandato até novembro de 1937, quando o advento do Estado Novo suprimiu os órgãos legislativos do país.
Com o fim do Estado Novo e a consequente redemocratização do país, elegeu-se deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo Ceará em dezembro de 1945, na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Assumindo sua cadeira em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos constituintes e, com a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer o mandato ordinário, atuando como membro da Comissão Permanente de Transportes e Comunicações da Câmara. Deixou essa casa ao final da legislatura, em janeiro de 1951, não voltando a desempenhar nenhum cargo público após esta data
Casou-se em 1921 com Ana Monteiro Teles, filha do rico capitalista José Rodrigues Monteiro. Tiveram sete filhos: Mauricio (médico de grande destaque no Cariri); Hermano José (Agrônomo); Caio (veterinário); Joaquim Filho (Químico industrial); Luiza Helena, Tereza Maria, Ana Guilhermina (Professoras).
Preocupado com a educação continuada dos médicos do Cariri, é fundada a Secção Cariri do Centro Médico Cearense, em 19 de março de 1953, na gestão do Professor Paulo de Melo Machado, cujo primeiro Presidente foi o próprio Dr. Fernandes Teles.
Proprietário agrícola, foi sócio-fundador e presidente da Associação Agrícola e Pastoril do Cariri, sendo pioneiro na introdução da lavoura mecanizada em sua terra. Participou também da organização das primeiras empresas da indústria açucareira do Ceará.
Dr. Joaquim Fernandes Teles faleceu em 4 de maio de 1970 no mesmo hospital que havia fundado. Deixou para a posteridade um legado de obstinação pelo trabalho e de dedicação a medicina. Com muita justiça, tem seu nome gravado eternamente na medicina cearense, como patrono da cadeira 13.
José Huygens Parente Garcia
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