A Cadeira nº 3 da Academia Cearense de Medicina é tutelada pelo grande Dr. Guilherme Studart, o insuperável Barão de Studart. O nome de Studart não poderá ser olvidado em qualquer Panteão dos maiores cearenses de todos os tempos. Faleceu na sua Fortaleza em 25 de setembro de 1938, aos 82 anos.
O perfil de escol do Barão de Studart apresenta três aspectos da maior relevância: o profissional exemplar da Medicina (clínico e epidemiologista); o católico inabalável e líder vicentino; o historiador notável da História do Ceará.
Nasceu o Dr. Guilherme Studart (o Barão de Studart) em Fortaleza a 5 de janeiro de 1856, no nº 73 da Rua da Palma (atual Major Facundo). Filho primogênito do inglês John William Studart e da cearense Leonísia de Castro (Barbosa) Studart. Médico, Historiador e vice-cônsul do Reino Unido no Ceará, iniciou seus estudos no Ateneu Cearense, transferindo-se posteriormente para o Ginásio Baiano, então dirigido pelo médico e destacado educador brasileiro Abílio César Borges, o futuro Barão de Macaúbas. Aluno destacado, foi meritoriamente agraciado com a Medalha de Ouro ao término de seu curso de humanidades. No afamado Ginásio soteropolitano estudaram Castro Alves, Rui Barbosa e Sátiro de Oliveira Dias (médico, homem público, exerceu a presidência da então Província do Ceará, oportunidade em que proclamou a nossa memorável e pioneira Libertação da Escravatura, a 25 de março de 1884) – dentre outras figuras de relevo nacional. Também em Salvador (BA), doutorou-se em Medicina no ano de 1877. Regressou ao Ceará em 1878, período de grande seca na região – (1877-1879), dedicando-se imediatamente ao atendimento dos flagelados e dos acometidos pela grande epidemia de Varíola que grassou no mesmo período. Trabalhou por muitos anos como clínico no Hospital da Caridade, atual Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza e em consultório privado.
Antiescravagista de primeira água, membro da legendária e radical Sociedade Cearense Libertadora (1880); dela se desliga e alia-se ao médico-cirurgião Meton da Franca Alencar, dentre outras destacadas personalidades, para fundar o Centro Abolicionista 25 de Dezembro, de feição mais moderada, em 1883. Católico fervoroso e atuante, dedicou-se à solidariedade ao próximo e à filantropia de orientação vicentina, atuações que lhe renderam o baronato, título concedido por Breve do Papa Leão XIII, a 22 de janeiro de 1900, atendendo a um pedido-recomendação do paulista Dom Joaquim José Vieira, 2º Bispo do Ceará. Membro da divisão civil da Ordem do Império Britânico, por mercê do Rei George V, em 1926. Membro, igualmente, de inúmeras associações científico-culturais (contam-se mais de quatro dezenas delas, quando de sua partida definitiva) nacionais e estrangeiras, destacando-se o Instituto do Ceará (Casa do Barão de Studart, fundado em 1887), Academia Cearense de Letras (Casa de Tomás Pompeu, fundada em 1894), Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Sócio Honorário), British Medical Association, Sociedade de Geografia de Paris e Sociedade de Geografia de Lisboa. Autor de inúmeros trabalhos em diversas áreas das Ciências Humanas e Medicina. Foi na História, entretanto, seu maior destaque, publicando mais de uma centena de textos da maior relevância, entre livros, opúsculos e artigos em periódicos vários, com fulcro na História do Ceará. Chegou a montar uma gráfica, a Tip. Studart, em sua residência à Rua Formosa nº 46, atual Barão do Rio Branco, para a impressão de trabalhos seus e a tiragem de números anuais da Revista do Instituto do Ceará. Em 1929 foi eleito Primeiro Presidente Vitalício e posteriormente Sócio Grande Benemérito do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), permanecendo na presidência até o seu falecimento, em data anteriormente assinalada (25 de setembro de1938). A partir de então, por antonomásia, o Instituto do Ceará passou também a ser conhecido como a ‘Casa do Barão de Studart’. Seu venerável nome batiza importante e extensa avenida em Fortaleza.
Pela abrangência dos temas (História, Geografia, Genealogia, Biografia, Folclore, Lexicografia, Medicina) e extensão de sua obra bibliográfica, mais de uma centena de títulos, foi considerado “o Alexandre Herculano do Norte do Brasil.” Em 1961 a sua memória é homenageada com uma herma no Passeio Público.
José Eurípedes Maia Chaves Júnior
Tarefa impossível traçar a biobibliografia do Barão de Studart (Dr. Guilherme Studart) em tão exíguo espaço. Recomendamos a leitura dos Anais da Academia Cearense de Medicina, Fortaleza, volume VII, 1998, p. 63 – 74; e o volume XVII, nº 17, 2017, p. 299 – 306; com trabalhos dos autores José Edísio da Silva Tavares e José Eurípedes Maia Chaves Junior, respectivamente.
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