ANTÔNIO CARLILE HOLANDA LAVOR (Cadeira 55)
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Membro titular da cadeira 18 da ACM
Antônio Carlile Holanda Lavor nasceu em Jucás-Ceará, em 23/08/1940, filho de Cândido Lavor e de Lucíola Holanda Lavor. Seu pai era farmacêutico prático e sua mãe, de prendas domésticas.
Após estudos iniciais em sua cidade natal, Antônio Carlile vai estudar no Crato-CE, onde cursou o ginasial e o primeiro e o segundo ano científico no Colégio Diocesano do Crato; em 1958, transferiu-se para a capital cearense, completando o científico no Colégio Fortaleza.
Em 1959, Carlile ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), concluindo o curso médico em 1964. Quando universitário, foi bolsista do Instituto de Medicina Preventiva do Ceará (IMEP-UFC). Nesse instituto trabalhou no Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medicina nos três últimos anos da graduação. Em 1965, com bolsa da CAPES, vai para o Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para se especializar em Microbiologia.
Em 1966, Antônio Carlile casa-se com a sua conterrânea Míria Benevides Campos; o casal instala-se em Jucás, onde funda a primeira escola de ginasial da cidade, mas volta para a capital em 1967, para Miria prosseguir a sua graduação em Serviço Social.
De junho de 1967 a fevereiro de 1969, Carlile dirigiu o Laboratório de Microbiologia do Hospital das Clínicas da UFC e o laboratório do Hospital (Sanatório) de Maracanaú, integrante da Campanha Nacional Contra a Tuberculose.
Carlile foi professor da Universidade de Brasília (UnB), durante dez anos, de 1969 a 1978. Nos primeiros cinco anos, dirigiu o Laboratório de Microbiologia do Hospital Escola da Faculdade de Medicina da UnB e dedicou-se ao ensino de microbiologia. Nos cinco anos seguintes, trabalhou no Programa Integrado de Saúde Comunitária de Planaltina, Distrito Federal (DF), que reunia a Universidade de Brasília e as Secretarias de Saúde e de Serviço Social do DF.
Nesse programa começaram as pesquisas que resultariam na criação do agente comunitário de saúde, célula-máter do Programa Saúde da Família (PSF), que se tornaria a Estratégia Saúde da Família, atividade estruturante do atual Sistema Único de Saúde (SUS).
Carlile e Míria foram aprovados em 1978 no concurso público para o recém-criado quadro sanitaristas, instituído como carreira de estado, da Secretaria de Saúde do Ceará (SESA), onde trabalharam até serem alcançados pela aposentadoria compulsória por idade.
Depois da realização do Curso Básico de Saúde Pública (Fiocruz/UFC), ele foi atuar como sanitarista na Regional de Saúde de Iguatu, que abrangia 14 municípios, inclusive Jucás, onde passou a residir.
De 1979 a 1986, Carlile desenvolve com a sanitarista Miria Campos Lavor, as pesquisas que complementaram os estudos iniciados em Planaltina-DF, para a criação do agente comunitário de saúde, adaptando-o às condições de trabalho do sertão nordestino.
Em junho de 1986, Carlile assume a direção do Departamento de Ações Básicas em Saúde da SESA e, em março de 1987, ascende ao cargo de Secretário de Saúde do Estado na primeira administração do Governador Tasso Jereissati, permanecendo no mesmo até abril de 1988. Nesse período, contratou 6.000 agentes comunitários de saúde. Os agentes de saúde transformaram-se em programa permanente da SESA; em 1991, esse foi adotado pelo Ministério da Saúde para todo o Nordeste e depois para todo o Brasil.
Carlile foi Secretário de Saúde de Iguatu de 1989 a 1991, quando ajudou a criar o Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Ceará, assumindo a Presidência de sua primeira Diretoria e a Vice-Presidência do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde.
Foi prefeito de Jucás de 1993 a 1996, tendo presidido a Associação dos Municípios do Ceará no mesmo período. Em sua gestão municipal, dedicou-se especialmente à campanha de escolarização das crianças de 7 a 14 anos.
De 2003 a 2007, Carlile e Miria trabalharam na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), envolvidos na criação do Curso Técnico de Agente Comunitário de Saúde.
De maio de 2007 a maio de 2008, Carlile e Míria foram para Angola, contratados pelo Unicef, para assessorarem a implantação de programa semelhante ao de agentes de saúde do Brasil.
Desde julho de 2008, Carlile vem conduzindo a implantação e implementação da unidade da Fiocruz Ceará.
Em 26/11/2010, foi empossado como membro titular da Cadeira 55 da Academia Cearense de Medicina, sendo recepcionado pelo confrade João Martins de Souza Torres.
Biografia baseada em:
TORRES, João Martins de Souza. Discurso de Saudação pela Posse na Academia Cearense de Medicina dos Acadêmicos Antônio Carlile Holanda Lavor e José Ribeiro de Souza. Anais – Academia Cearense de Medicina. v. 15, ano 15, 2012. p. 209-215.
Número acadêmico: 92
Cadeira: 55 (Patrono: José Borges de Sales)
Membro: Titular
Seção: Medicina
Posse: 26/11/2010
Nascimento: 23/08/1940