Academia Cearense de Medicina

Desde 1978

Joaquim Eduardo de Alencar


O professor e pesquisador Joaquim Eduardo de Alencar nasceu em Pacatuba, Ceará, em 18 de abril de 1912. Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1929, vindo a diplomar-se em 1934.

A sua carreira de médico foi iniciada em 1935, em Lajeado, Rio Grande do Sul, onde trabalhou por mais de um ano. Retornou ao Ceará, em 1936, e a partir de então, Alencar dedicou-se exclusivamente à clínica médica, atuando nos municípios de Fortaleza, Redenção e Baturité.

Em 1939, deu início às atividades como Médico Sanitarista do Departamento de Saúde Pública do Estado do Ceará e, no mesmo ano, assumiu a chefia do Posto de Higiene de Baturité. Em 1940, foi nomeado Diretor do Departamento Estadual de Saúde, o cargo mais importante da área da saúde estadual.

Em 1942, viajou ao Rio de Janeiro, onde realizou, no Instituto Oswaldo Cruz, o Curso de Especialização em Higiene e Saúde Pública, bem como o Mestrado em Saúde Pública. Em 1943, através de concurso, passou a integrar o Quadro Permanente de Médico Sanitarista Federal, do Ministério da Educação e Saúde.

Em 1947, ingressou no grupo dos médicos fundadores da Faculdade de Medicina do Ceará, que posteriormente comporia a Universidade Federal do Ceará. O Prof. Alencar; agregou-se ao corpo docente, participando como Assistente de Parasitologia, e ainda colaborando nas aulas práticas de Histologia.

Em 1960, fez concurso para Livre-Docente, passando para Professor Adjunto, função em que se aposentou em 1980, ao mesmo tempo em que, por brilhante aprovação em concurso público, foi nomeado Professor Titular de Parasitologia, cargo esse que ocupou até 1982, quando foi alcançado pela aposentadoria compulsória.

Em 1958, estagiou, como bolsista da OPAS, em instituições de pesquisa de Portugal, da Inglaterra, da Itália, de Israel e do Quênia. Em 1962, época em que dirigia o Instituto de Medicina Preventiva (IMEP), fez estágio de observação em universidades de Porto Rico, Estados Unidos, México, Panamá, El Salvador e Colômbia.

Em 1964, com o golpe de 31 de março, Alencar requereu a exoneração da direção do IMEP, para não trazer transtornos à UFC. O endurecimento do regime militar impôs severas limitações às atividades docentes do Prof. Alencar. À conta disso, ele foi trabalhar na Itália, como pesquisador bolsista do Istituto Superiore di Sanità. Posteriormente, exerceu a função de Oficial Médico da OMS-OPAS, em Cuba, de 1969 a 1971, de modo que somente em 1972 pôde reassumir as suas atribuições docentes na UFC.

Em 1978, o Prof. Alencar, juntamente com o Prof. Geraldo Tomé e outros colegas, liderou a criação do Núcleo de Pesquisas e Especialização em Medicina Tropical da UFC (hoje Núcleo de Medicina Tropical), do qual foi seu primeiro coordenador.

Dentre as tantas atividades desenvolvidas pelo Mestre Alencar, um diferencial para o saber científico foi a pesquisa dedicada às chamadas doenças tropicais, como a doença de Chagas, a esquistossomose e a leishmaniose visceral, do que resultou uma grande produção científica, que, entre artigos, capítulos e trabalhos em anais, chega a quase duas centenas.

Alencar teve relevante participação em diferentes associações e órgãos de classe, tendo sido presidente da ACM, no biênio 1982-84, sendo alvo de um excepcional número de homenagens e condecorações, que fazem jus à grandeza de sua inolvidável figura. Dr. Alencar merece figurar no panteão nacional dos médicos sanitaristas que se dedicaram à Saúde Pública brasileira, no século XX, brilhando ao lado de Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Adolfo Lutz, Emílio Ribas, Samuel Pessoa, Carlos da Silva Lacaz e tantos luminares mais, que muito contribuíram para a pesquisa e para o controle de enfermidades tropicais, em nosso meio.

Faleceu o Prof. Alencar em 20 de abril de 1998, aos 86 anos de idade, legando uma obra que muito orgulha os cearenses. Deixou o exemplo da dedicação ao trabalho, do amor ao Ceará e ao Brasil e da devoção à pesquisa, em especial aquela que almejava achar soluções para o controle de doenças que causam tanta aflição humana, atingindo, notadamente, os mais privados de bens, tidos como marginalizados sociais.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Cargos, funções e reconhecimentos

INFORMAÇÕES DO ACADÊMICO

Número acadêmico: 18

Cadeira: 18 (Patrono: Samuel Barnsley Pessoa )

Membro: Patrono, Titulares Honoráveis

Seção: Medicina

Posse: 12/05/1978

Nascimento: 18/04/1912

Falecimento: 20/04/1998